sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Hoje não é um dia bom...

Hoje acordei e na minha cabeça e sentimentos só me vinha a vontade de chorar, extravasar de alguma forma tudo que me veio à tona ontem quando eu vi uma mísera foto. Sim uma mísera foto dele ligeiramente perto de onde moro, um lugar pelo qual eu costumo passar. Uma foto tirada com um amigo de infância, eu senti tanta coisa junta, mas tanta! E não sei se consigo defini-las, mas acho que era uma mistura de amor, ódio, saudades, nostalgia, inveja, mágoa, dor, revolta... Eu não sei bem. Eu não queria sentir nada disso quando visse as fotos dele e não sei o que fazer... 7 anos se passaram, na verdade 7 anos e meio. Eu não consigo bloqueá-lo do meu face, isso significaria não ter notícia alguma e não conseguiria suportar a ausência de notícias, não consigo deixar de ver pois aparecem na linha do tempo, nas postagens, viagens, passeios, a esposa, tudo me faz sentir tudo isso ao mesmo tempo e eu não consigo me livrar disso. Às vezes fico achando que sou ou estou doente, raramente falo disso com alguém, mas na verdade também acho que só sinto essas coisas quando estou sozinha, mal e carente. Quando estou bem sinto uma ou duas coisas do que relatei ai em cima, mas tudo? Tudo não... Eu queria saber o que se passa na cabeça dele, o que ele sente por mim, pena? Saudades? Raiva? Mágoa? 

Enquanto lavava a louça de ontem agora pouco eu não aguentei, muitas lembranças ruins vieram à minha mente do nada, talvez um mecanismo de defesa do meu subconsciente para não me sentir tão mal, mas o efeito foi reverso. Como acabei entrando no facebook do irmão mais novo porque acabei vendo outras fotos e isso me levou a outras páginas, lembrei-me de quando estávamos saindo dois anos depois de separados, e na minha cabeça burra e estúpida, era um recomeço, ou algo do tipo, na verdade eu estava sendo um "estepe conhecido" para ele, que já estava conhecendo outra pessoa e se apaixonou na mesma época, mas me ligava para querer vir até minha casa e não era para jogar vídeo game... Eu não posso culpá-lo ou nem mesmo me fazer de inocente ou vítima, eu sempre adorei o sexo com ele também, era o nosso maior e melhor ponto na nossa relação, mas para mim estava sendo mais que sexo... e para ele, só relembrando a melhor parte da nossa relação , ou saciando suas necessidades. Nessa época, quando transamos pela última vez, ele saiu irritado da minha casa e alguns dias depois descobri por telefone em nossa última discussão que por eu estar em cima e estar embalada no ritmo de nossos corpos, ele simplesmente achou que na hora dele gozar eu forcei e não sai, eu não estava tomando remédio na época e ainda transávamos sem camisinha (grande erro meu ou nosso) porque confiávamos um no outro que nos cuidamos no tempo em que estávamos separados... Ele me disse que eu queria forçar a barra para engravidar... Meu mundo acabou.

Eu não acreditei no que eu estava ouvindo da pessoa que me conhecia melhor que qualquer pessoa neste mundo. Eu, Glaucia, que passei 8 anos com ele, capaz de pensar em segurá-lo com uma "barriga". Foi o fim pra mim, me senti um lixo e deixei claro pra  ele minha dor ao ouvir que ele pensava esse tipo de coisa baixa sobre mim. Que eu seria capaz, mesmo que eu quisesse (e não queria mesmo) de forçar uma gravidez com intuito de prendê-lo. Me senti suja só por ele ter pensado isso de mime depois jogou na minha cara ainda , coisas do passado, ou melhor culpas do passado que hoje sei que não as tive, mas ele disse que eu o afastei da família dele e que eu era o pivô de muitas coisas ruins na vida dele e que se ele pudesse voltar atrás, no tempo, jamais teria namorado comigo ou "casado". Agora imagina você ouvir da pessoas que você mais amou em sua vida que não queria ter te conhecido e ainda te acusar de coisas que você nunca fez? Até porque eu sempre apoiei ele ficar mais ligado aos irmãos, a entender a mãe, e nunca reclamei quando ele queria sair só com o pai dele. Eu achava o máximo! 

Foi um dos piores dias da minha vida ouvir aquilo tudo dele, me lembro como se fosse ontem, eu montada na bicicleta, parada no meio da rua, pedindo para conversarmos pessoalmente e ele vomitando tantas coisas ruins sobre mim, me culpando de coisas que nunca fiz ou passou pela minha cabeça, e mesmo assim, ainda continuei amando-o.  Minha dor foi tão grande nessa época que desenvolvi uma depressão enorme, a maior da minha vida té hoje, não comia, não ia ao trabalho, não estudava, faltava tudo, chorava nos trens, nos ônibus, andando nas ruas... Eu não conseguia parar de sentir aquela dor ecoando dentro de mim. Tive vontade de morrer, uma vontade imensa e tirar a própria vida. Eu havia morrido por dentro, e ele havia me dado o golpe final. O efeito foi tão forte que comecei a achar e dar razão a tudo que ele disse e me sentia suja, me senti um monstro eu pensava " sou uma pessoa ruim, separei um filho dos seus pais e irmãos, eu sou um lixo". Eu então planejei depois de muitas semanas, me livrar daquilo, e se eu tinha culpa, então nada me restava a não ser tentar pedir perdão. Foi então que procurei um a um dos membros da família dele pra pedir perdão, convencida de que eu era um monstro. Procurei o Adriano primeiro porque era mais fácil e eu sempre esbarrava com ele no trem , mas ele não falava comigo. Depois o Dna Fátima, em seguida Alain e Rosa na casa dela, que me trataram muito mal, frios e impiedosos, e por último o sr Ademir que foi quem me tratou melhor e foi mais compreensivo que todos. Na frente de todos eu chorei e me humilhei. E apesar de ter consciência um tempo depois que nunca fiz nada pra família dele, eu não em arrependo de tê-lo procurados. Eu me senti leve, porque se ele julgava-me culpada por coisas que ele tinha culpa, naquele momento eu mostrei pra ele que eu não tive a intenção de fazer nada o que ele havia me acusado e me senti melhor do que ele como ser humano. Ainda fiquei deprimida por muito tempo, mas aos poucos superei.

Durante os anos que se seguiram o facebook e meu celular foram os meios pelo qual ele me procurava às vezes. Em 2010 eu pedi a ele por intermédio da Larissa para tirar uma geladeira pra mim no cartão dele, eu estava passando por muitas dificuldades e nunca cortamos os laços de amizade, ele sempre queria saber se eu estava bem, isso me deixava com ódio e ao mesmo tempo com sensação de conforto e proteção que ele sempre me deu. Ele me deu a geladeira e disse que eu merecia e que ele não precisava d dinheiro das prestações. Fiquei grata, mas aquilo também me fez sentir péssima. Em 2011 ele me deu um celular, eu não lembro se teve uma ocasião em especial, mas acho que ele e Larissa se falavam e sempre que eu precisava de algo ela devia contar a ele. Não sei se a amo ou odeio por isso, mas o fato é que ele queria me dar um notebook, e ela disse que eu precisava de um celular a pedido meu. Nos encontramos em Nova Iguaçu, num dos cenários em que marcou muito nosso namoro, o Shopping Square. A conversa foi rápida, mas nunca vou me esquecer do abraço de quando nos encontramos. Não me lembro se foi no mesmo ano ou no ano seguinte, mas ele me deu o notebook dele, usado, dizendo que por eu estar na faculdade eu precisaria mais dele do que os irmãos dele, quando eu perguntei porque ele não deu pra nenhum deles já que ele compraria um outro pra ele. Foi a última vez que nos encontramos pessoalmente. Dali em diante ele falou comigo algumas vezes pelo face, chegou a desabafar quando estava conhecendo um outra moça  e era do mesmo signo que o meu. Eles estão juntos até hoje. E me disse uma vez que planejavam ter um filho. Ele não conversa comigo há muito tempo, nem mesmo pelo face, apenas me marca nas publicações dele no face. Eu sinto tanta raiva e inveja quando vejo as fotos que ele publica passeando e viajando com ela e me odeio muito por isso... Me sinto má, negativa, um lixo. 

Eu me olho no espelho, pesando ao redor de 140 kg (não me peso há séculos, deve ser isso),  olho ao meu redor e não tenho quase nada, penso na minha vida, sozinha, gorda, de aluguel, feia, maltratada, relaxada, faculdade largada, sem dinheiro, vivendo enrolada financeiramente e penso o quanto ele evoluiu e eu estou estagnada ou regredindo, me sinto péssima. m verdadeiro lixo por me comparar a ele e por sentir tanta coisa ruim. Eu deveria sentir coisas boas, seguir o exemplo dele, continuar lutando pela minha vida e meus sonhos e estou me tornando desprezível e horrível. Será que sou uma pessoa ruim? Será que fiz mal a ele? Será que estou pagando por esse mal? Será que estou me autoflagelando? Eu mereço passar por tudo que estou passando? Não mereço ser feliz como ele é? Eu não sei... Tenho tanto medo de descobrir que tudo pelo que estou passando é merecido e sou uma pessoa má. Eu não quero bloqueá-lo, mas também não quero ver as postagens  de fotos dele, vou descobrir uma maneira de bloque-las.





Nenhum comentário: